Cruzamento das propostas comerciais das quatro empresas com os dados reais de atendimento da carteira pediátrica OnMed — 3.529 atendimentos, R$ 592,8k em despesas, ~22.000 beneficiários.
A carteira pediátrica da OnMed na Região Sul apresenta 3.529 atendimentos com despesa total de R$ 592.783,25 e ticket médio de R$ 167,97. O perfil é predominantemente ambulatorial (79,7%), com concentração de 80,9% em Porto Alegre e crescimento explosivo de +1.156% entre 2024 e 2025. Estes são os números reais que fundamentam a análise de viabilidade das propostas das quatro empresas avaliadas.
Crescimento real 2023-2025 (+1.156%)
Distribuição da despesa de R$ 592,8k
Volume real de atendimentos por especialidade
Impacto financeiro real por horário
Detalhamento das quatro propostas recebidas, com escopo, modelo de remuneração e dependência de infraestrutura. Os valores são confrontados com a despesa real da carteira.
Médico plantonista pediátrico, 16h/dia (07h-23h), todos os dias, 31 dias. Governança clínica forte e gestão de protocolos. Duas opções: com e sem RQE em Pediatria.
PA Pediátrico: 744h/mês, 2 profissionais/dia, domingo a domingo. Meta de redução de 15% nos custos de internação. Escala com 5 médicos (CRM), com lacunas identificadas.
Parceria completa para Porto Alegre: 10 especialidades, 38.956 consultas/ano, mínimo de 2.500 consultas/mês. Modelo white label com governança, exames e NPS. Contrato de 5 anos.
Estrutura física pronta e qualificada, viabilizador de transição imediato. Permite iniciar com GSS ou AVMMED enquanto o HPOA é reformado. Limitações: marca Afya aparente, ambiente acadêmico.
Cada proposta oferece uma estrutura diferente de profissionais e horas. Com a demanda real de ~294 atendimentos/mês (~9,8/dia), é fundamental avaliar se a capacidade contratada é proporcional à demanda — ou se há ociosidade significativa que encarece o custo por atendimento.
A carteira pediátrica gera ~9,8 atendimentos/dia (média) com pico de ~17/dia. Um médico atende de 2 a 3 pacientes/hora (consulta pediátrica de 20-30 min). Isso significa que 1 médico em 16h pode atender 32 a 48 pacientes/dia — muito acima da demanda atual. A questão central é: quanto se paga por hora ociosa em cada proposta?
Veredito: Mesmo com ociosidade alta, é o menor custo absoluto. Com o crescimento de +1.156%, a ociosidade tende a cair rapidamente. 1 médico é suficiente para a demanda atual e suporta até 3-4x o volume sem necessidade de reforço.
Veredito: A proposta original com 2 médicos é superdimensionada para a demanda. Pode negociar redução para 1 profissional (~R$ 136k/mês), mas mesmo assim fica acima da GSS Op.2 (R$ 126k) e sem governança clínica. Lacunas na escala são um risco adicional.
Veredito: O mínimo garantido de 2.500 consultas/mês é 8,5x a demanda real atual. Faz sentido apenas se a INCLUA absorver todas as 10 especialidades e gerar demanda adicional com as 22.000 vidas. O custo por atendimento real é o mais alto de todas as propostas.
A AFYA não fornece médicos — fornece espaço físico. A análise de carga horária não se aplica diretamente, pois depende de qual parceiro operacional (GSS ou AVMMED) será utilizado dentro da estrutura AFYA.
Veredito: Complementar a qualquer cenário. Resolve o bloqueio de infraestrutura imediatamente. Ideal como solução transitória enquanto o HPOA é reformado.
| Proposta | Custo/mês | Médicos/dia | Horas/mês | Capacidade/dia | Demanda/dia | Ociosidade | Custo/atend. | vs Ticket Médio |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| GSS Op.1 | R$ 94.470 | 1 | 496h | 32-48 | 9,8 | 67-80% | R$ 321 | 1,91x |
| GSS Op.2 | R$ 126.710 | 1 | 496h | 32-48 | 9,8 | 67-80% | R$ 431 | 2,57x |
| AVMMED (2 méd.) | R$ 273.127 | 2 | 744h | 48-72 | 9,8 | 80-86% | R$ 929 | 5,53x |
| AVMMED (1 méd.) | ~R$ 136.564 | 1 | ~372h | 24-36 | 9,8 | 59-73% | R$ 465 | 2,77x |
| INCLUA (mín.) | R$ 400.000 | Var. | Var. | 2.500/mês | 294/mês | 88,2% | R$ 1.361 | 8,10x |
A linha vermelha tracejada indica o ticket médio real (R$ 167,97)
Todas as propostas apresentam ociosidade significativa frente à demanda atual. A GSS com 1 médico é a mais eficiente: mesmo com 67-80% de ociosidade, tem o menor custo absoluto e suporta o crescimento projetado. A AVMMED pode negociar redução para 1 profissional, mas ainda fica acima da GSS. A INCLUA só se justifica se gerar volume adicional com as 22.000 vidas.
Fator de crescimento: Com +1.156% de crescimento (2024→2025), a ociosidade tende a diminuir rapidamente. A GSS é a única proposta que absorve esse crescimento sem necessidade de renegociação imediata.
Confronto entre os custos das propostas e a despesa real da carteira pediátrica. A despesa atual de R$ 592,8k/ano é a base de comparação para avaliar o impacto financeiro de cada cenário.
Comparativo direto entre as quatro propostas
| Critério | GSS | AVMMED | INCLUA | AFYA |
|---|---|---|---|---|
| Custo Mensal | R$ 94k / R$ 126k | R$ 273k | R$ 400k (mín.) | A definir |
| Custo Anual | R$ 1,13 mi / R$ 1,52 mi | R$ 3,27 mi | R$ 4,80 mi (mín.) | — |
| vs Despesa Real (R$ 592k) | +91% / +156% | +452% | +710% | Complementar |
| Tipo | Escala médica | Escala médica | Parceiro estratégico | Infraestrutura |
| Remuneração | Custo fixo | Custo fixo | Fee for service | — |
| RQE Pediatria | Op1: Não / Op2: Sim | Não especificado | — | — |
| Governança Clínica | Sim | — | Sim | — |
| Prazo Contratual | Curto prazo | Curto prazo | 5 anos (lock-in) | Temporário |
| Depende de Infra? | Sim | Sim | Não | É a infra |
| Probabilidade Sucesso | 65% | 35% | 70% | 50% |
Análise de viabilidade de cada proposta considerando os dados reais de atendimento, perfil de custos, concentração geográfica e riscos identificados no Relatório V3.

"O fator mais determinante para a viabilidade de qualquer cenário é a disponibilidade de infraestrutura física. Nem todos os parceiros possuem autonomia para resolver este ponto."
Com 3.529 atendimentos reais e despesa de R$ 592,8k, a GSS Opção 1 (R$ 94,4k/mês = R$ 1,13 mi/ano) representaria um custo 91% superior à despesa atual. A Opção 2 (R$ 126,7k/mês = R$ 1,52 mi/ano) seria 156% superior. Porém, considerando o crescimento explosivo de +1.156%, a despesa tende a crescer significativamente, tornando a GSS competitiva a médio prazo. A cobertura de 16h/dia (07h-23h) atende 72,8% dos atendimentos diurnos reais.
A AVMMED custa R$ 273,1k/mês (R$ 3,27 mi/ano), representando 452% da despesa real atual. Mesmo com a meta de redução de 15% nos custos de internação, o custo é 2x maior que a GSS Opção 2. As lacunas na escala são preocupantes considerando que 27,2% dos atendimentos reais são noturnos. O perfil ambulatorial da carteira (79,7%) questiona a necessidade de PA Pediátrico integral.
A INCLUA custa R$ 400k/mês (R$ 4,80 mi/ano), 710% da despesa atual. Porém, oferece 10 especialidades e 38.956 consultas/ano — muito acima dos 3.529 atendimentos atuais. Com ~27.000 beneficiários, isso equivale a 1,44 consultas/beneficiário/ano. O modelo resolve o problema de infraestrutura e de coordenação do cuidado, mas o lock-in de 5 anos é um risco significativo dado o crescimento ainda instável da carteira.
A AFYA não é um parceiro operacional, mas um viabilizador de transição. Com 80,9% dos atendimentos concentrados em Porto Alegre, a infraestrutura da AFYA em POA é estrategicamente posicionada. Permite iniciar imediatamente com GSS ou AVMMED enquanto o HPOA é reformado. As restrições de horário podem impactar os 27,2% de atendimentos noturnos.
GSS vs AVMMED vs INCLUA — 6 dimensões
O fator crítico central é a infraestrutura. Abaixo, os quatro caminhos possíveis com responsável, prazo e custo para a OnMed.
| Caminho | Responsável | Prazo | Custo OnMed |
|---|---|---|---|
| Reformar o HPOA | OnMed (CAPEX) | Variável — depende dos gaps | Alto |
| Usar AFYA temporariamente | AFYA | Imediato | Baixo |
| INCLUA capta novo local | INCLUA | ~3 meses | Investimento INCLUA |
| OnMed capta novo local | OnMed | Variável | Alto (CAPEX + tempo) |
A linha vermelha tracejada indica a despesa real atual (R$ 592,8k/ano)
A decisão sobre o parceiro operacional depende diretamente da resolução da infraestrutura. A recomendação considera os dados reais da carteira e dois caminhos condicionais.
Iniciar com a GSS (Opção 2 — RQE) por R$ 126.710/mês. Caminho de menor custo e menor risco, com governança clínica forte. Cobre 16h/dia (07h-23h), atendendo os 72,8% de atendimentos diurnos reais.
Usar a AFYA como base temporária e iniciar com a GSS. Resolve o bloqueio imediato.
Avançar com a INCLUA, que capta seu próprio espaço em ~3 meses. Modelo completo mas com lock-in de 5 anos.
Com a operação validada e dados consolidados, a OnMed poderá reavaliar a parceria com a INCLUA em condições muito mais favoráveis. A decisão de migrar para um modelo de gestão completa será baseada em evidências concretas: volume real de consultas, perfil de sinistralidade, satisfação dos beneficiários e custos operacionais efetivos.
Com dados reais de 12-18 meses de operação, a OnMed terá maior poder de negociação para ajustar os termos do MoU com a INCLUA, reduzindo o risco do lock-in de 5 anos.
A infraestrutura é o fator decisivo para a implementação dos serviços pediátricos da OnMed em Porto Alegre. Com base nos dados reais — 3.529 atendimentos, R$ 592,8k em despesas, concentração de 80,9% em POA e crescimento de +1.156% — a recomendação é:
Se HPOA rápido: GSS (Opção 2) é o caminho mais seguro e econômico — R$ 126,7k/mês com governança clínica.
Se HPOA lento: INCLUA oferece o caminho mais autônomo e completo, embora com maior compromisso financeiro (R$ 400k/mês, 5 anos).
AFYA funciona como viabilizador de transição imediato em qualquer cenário.
AVMMED apresenta o pior custo-benefício (R$ 273k/mês, 35% de probabilidade) e não é recomendada como primeira opção.